Logon

Escola

Em cada nome uma história

O Projeto denominado “Escola – Em cada nome uma história” pretende buscar a identidade dos patronos das Escolas Públicas Estaduais de Goiás, numa busca pelo reconhecimento, por parte da comunidade escolar e da sociedade em geral, aos baluartes que fizeram de suas vidas um ideário de trabalho em prol do outro e que, por esse motivo, foram perpetuados, intitulando instituições de ensino. Saiba mais...
história

Col. Est. Senador Antônio Ramos Caiado

Col. Est. Senador Antônio Ramos Caiado

O nome de Antonio Ramos Caiado, Totó Caiado, Dr. Ramos Caiado ou ainda Senador Caiado entrou para a história pela sua atuação na política goiana no período anterior à Revolução de 1930, notadamente na Cidade de Goiás. Diferente de seus irmãos não tinha o "di Ramos", escrito com "i", nem mesmo o "de Ramos", apenas Antonio Ramos Caiado.

A sua figura austera e tantas vezes controvertida, de muitas definições, estudos e comentários ao gosto popular, aparece como patrono de duas unidades escolares estaduais em Goiás, como o Colégio Estadual Senador Antonio Ramos Caiado, situado no centro da histórica e poética cidade de Santa Cruz de Goiás, dirigido pela professora Maria do Carmo Magalhães, subordinado a Subsecretaria Regional de Educação de Pires do Rio e a Escola Estadual Doutor Antonio Ramos Caiado, situada no Bairro Ipiranga da cidade de Alvorada do Norte, dirigida pela professora Patrícia Soares de Campos e subordinada a Subsecretaria Regional de Educação de Posse.

A família Caiado veio para Goiás, antiga capital do estado, no século XVIII, tendo por patriarca Manuel Caiado de Souza, natural do Bispado de Lamego, Portugal, cujo nome com a devida identificação aparece no livro de assentamento Paroquial de Vila Boa. Esses dados foram pesquisados profundamente pela grande historiadora goiana Dra. Lena Castello Branco Ferreira de Freitas.

Dentre os ilustres membros da tradicional família Caiado, que se destacaram nos variados campos da atividade humana em favor de Goiás; podemos salientar Antonio José Caiado; que teve, no seu tempo, atuação relevante na administração e na política, assumindo o governo ainda no império de 25/11/1883 a 06/02/1884) e na República substituiu Leopoldo de Bulhões (de 17/07/1892 a 30/07/1893) e em 1895, assumindo o governo novamente na qualidade de Vice Presidente.

Dentre seus descendentes Torquato Jose Caiado (Torquatinho) teve acentuada projeção social, estudando em São Paulo onde desposou Claudina Azevedo Fagundes e constituiu uma família composta de homens e mulheres notáveis: Antonio Ramos Caiado (advogado), Leão di Ramos Caiado (advogado), Arnulpho di Ramos Caiado (odontólogo), Brasil di Ramos Caiado (médico) e as filhas Terezina, Diva, Antonieta, Tarcila e Colombina, mulheres de coragem e decisão, sendo a última delas, emérita professora na cidade de Goiás.

Dos dignos descendentes de Torquato Jose Caiado, os dois filhos tiveram decisiva participação na política goiana de 1900 a 1990: Antonio Ramos Caiado (1874-1967) foi Senador e Presidente do Partido Democrata; Brasil (1893-1958) foi Presidente do Estado, Prefeito Municipal da Cidade de Goiás, Senador da República, alem de médico humilde e caridoso na Velha Capital. Arnulpho e Leão foram competentes profissionais, sendo que, este último, foi diretor da antiga Escola de Aprendizes e Artífices, hoje IFEGO.

As mulheres foram esposas de políticos atuantes: Diva desposou em segundas núpcias o cel. Eugenio Jardim, Colombina desposou o médico e político Dr. Agenor Alves de Castro, Terezina desposou o também político João Alves de Castro e Tarsila que desposou Joviano Alves de Castro, ou seja, três irmãs que se casaram com três irmãos.

Continuando a linha de atuação política os filhos de Totó Caiado: Edenval, Emival, Ercival, Caiadinho e Ubirajara enveredaram-se pelas estradas da política, assim como os netos Ronaldo e Sergio Caiado militam as lides políticas que legaram seus ascendentes.

Ainda teve destaque político Brasilio Caiado (médico), Leonino Di Ramos Caiado, este último, governador de Goiás de 15/03/1971 a 15/03/1975, sendo anteriormente Prefeito Municipal de Goiânia, nomeado em 22/10/1969, permanecendo ate 30/06/1970. Lembrados, também, Lincohn Caiado de Castro que foi Prefeito da Cidade de Goiás, casado com Comary Caiado, Mário de Alencastro Caiado, que fez oposição ao Caiadismo, assim como os irmãos Albatênio Caiado de Godoy, casado com Maria Paula Fleury Curado, Claro Augusto Caiado de Godoy, casado com Maria Elisa Pereira da Silva e Geraldino Caiado Fleury que foi político, viúvo de Elisa de Abreu.

Merece destaque especial o nome de Julieta Caiado Fleury (1908-2002), primeira mulher no Estado de Goiás a ser vereadora, em 1947, seguindo sua atuação por três mandatos consecutivos, tendo o magistério e as obras sociais por lema. Natural da Cidade de Goiás, era filha de Vicente Miguel da Silva Abreu e de Eugênia Caiado Fleury, casou-se em Goiânia com o advogado Dr. Leopoldo de Souza, este natural de Caldas Novas.

No campo da cultura e da educação teve destaque o empenho e intelectualidade do prof. Manuel Sebastião Caiado, mestre de muitas gerações de goianos, Consuelo Caiado (1899-1981), farmacêutica e uma das diretoras do Gabinete Literário Goiano em sua fase mais produtiva, alem de guardiã de precioso arquivo referente à historia de Goiás.

Outro grande destaque coube a Illydia Maria Perillo Caiado (1894-1971) uma das pioneiras da literatura feminina em Goiás, colaboradora do jornal A Rosa em 1907, eleita ainda a "Mais elegante senhorita goiana" no primeiro concurso de Miss Goiás em 1909; Comary Caiado de Castro (1902-1981) que foi aluna do Colégio Sion em Petrópolis e  como primeira-dama da antiga capital de Goiás (de 1919-1923) na gestão de seu esposo Lincohn Caiado de Castro foi idealizadora da construção do jardim fechado da praça do jardim (hoje Dr. Tasso Camargo), além do coreto idealizado a partir do petit trianon da Suíça; Anita Fleury Perillo (1898-1973) farmacêutica na velha capital, Tereza de Alencastro Caiado de Godoy (1875-1958) poeta de rara sensibilidade, Albatênio Caiado de Godoy (1895-1973) intelectual e jornalista, fundador da Associação Goiana de Imprensa e membro da Academia Goiana de Letras, Maria Paula Fleury de Godoy (1894-1982) escritora de renome nacional, pioneira do modernismo em Goiás, fundadora da Academia Feminina de Letras e arte de Goiás, Luis Caiado de Godoy, pioneiro de Anápolis, engenheiro agrônomo, Leolidio Di Ramos Caiado, sertanista, homem das letras e das artes, membro da Academia Goiana de Letras, Agnaldo Caiado de Castro, que ocupou o elevado cargo de general, Brasilete Caiado, mulher de têmpera e acentuada cultura, esteio firme da intelectualidade vilaboense a quem muito devemos a Goiás o título de Patrimônio da Humanidade; Iracema Caiado de Castro Zilli, competente professora e energética advogada; Genezy de Castro Caiado que foi diretora do jornal  O Lar na velha capital nos anos 1920.

Antonio Ramos Caiado foi, sem sombra de duvidas, um dos maiores líderes da história de Goiás, de uma inquestionável liderança política, disputando seu lugar no cenário da memória política com Pedro Ludovico Teixeira. Cada um, em seu tempo e seu meio, foram molas propulsoras da história goiana.

Antonio Ramos Caiado, figura polêmica da história de Goiás nasceu em 15 de maio de 1874, na Cidade de Goiás, filho de Torquato Ramos Caiado e Claudina Fagundes Caiado. Fez seus estudos no tradicional Lyceu de Goiás (fundado em 1846 pelo Barão de Ramalho) e o curso de Direito em São Paulo, onde terminou em 1895. Quando da "Revolta Armada" de setembro de 1893 alistou-se no Batalhão Acadêmico de São Paulo, defendendo o governo constituído. Pelos seus atos de bravura obteve o posto de Alferes e de Tenente como honorário do Exército por decreto do Marechal Floriano Peixoto.

Formado, retornou a velha Capital de Goiás onde iniciou sua trajetória política, combatendo a oligarquia de Bulhões. Em 1897, foi eleito Deputado Estadual pelo circulo de Pirenópolis e, no ano seguinte, a 29 de setembro de 1898 contraiu matrimônio com Iracema de Carvalho Caiado (1877-1907), moça educada na Itália, residente na capital, Rio de Janeiro, com quem teve 4 filhos: o primeiro morreu recém-nascido, seguindo-se Consuelo, Comary e Cory, todas nascidas na velha capital onde o  Senador lutava no centro das lutas políticas em que empregava o seu vigor com o qual formaria sua futura liderança.

Em 1903, assumiu a secretaria do interior no governo Xavier de Almeida, seguindo-se para o governo de Miguel da Rocha Lima, na Secretaria de Finanças. Em 1908, por discordar com a situação política, rompe com o partido situacionista.

Na oposição então, encontrou por companheiros Gonzaga Jayme, Leopoldo de Bulhões, Sebastião Fleury Curado e Eugenio Jardim. Com Gonzaga, Jayme e Eugênio Jardim chefiou a chamada "Revolução Branca" ou "Revolução da Quinta", ocorrida em maio de 1909 que obtém êxito derrubando o governo de Xavier de Almeida.

Nesse ano, foi eleito Deputado Federal por Goiás, posto para o qual foi reconduzido sucessivamente até 1920 quando passou a Senador. Nesse mesmo ano, contraiu segundo matrimonio com Maria Adalgisa de Amorim Caiado (Mariquita 1888-1984) filha de Luis Astholpho de Amorim e Rosa Amélia Sócrates de Amorim, com quem teve os filhos: Enery, Edenval, Emival, Elcival, Elgizy, Elcy, Antonio Ramos Caiado Filho, Ubirajara e Emy, jovem estudante que faleceu em 16 de junho de 1930.


Bodas de ouro do casal José Gonzaga Sócrates de Sá e Basília Batista, na cidade de Goiás em 1912, vendo-se nesta, na primeira fila, a figura austera de Antônio Ramos Caiado, ao lado de sua segunda esposa Maria Adalgisa de Amorim Caiado (Mariquita). Aparecem, ainda, em criança, as futuras artistas, Darcilia de Amorim, Dinah de Amorim, Yeda Sócrates, Diva de Amorim, Laila de Amorim e Ofélia Sócrates do Nascimento Monteiro.     

Num entrechoque com o governo de Urbano Coelho de Gouveia, lutou novamente e em 1912 organizou o "Partido Democrata" que foi chefe e orientador ate 1930.

Ocupou então, a partir daí, as mais altas funções político-administrativas, apenas, nunca desejou a própria chefia do governo porque nunca quis exercê-la. Em 1916 fundou e dirigiu o jornal O Democrata, órgão do Partido Democrata que circulou até 1930, tendo por redatores Teódulo Alves de Castro (que faleceu em 20 de maio de 1929), Cylenêo de Araújo, Luis Guedes de Amorim, Joviano de Castro e Gercino Monteiro com colaborações de Eugenio Rios. O referido jornal circulou até 1930 quando então, com o advento da Revolução, o poder passou as mãos de Pedro Ludovico Teixeira.

Longe das lides políticas, Antonio Ramos Caiado passou às atividades agropecuárias em suas fazendas (Limoeiro e Lajes). Faleceu na cidade de Goiás em 17 de janeiro de 1967, aos 93 anos.

Por sua liderança política e participação na história, bem mereceu nomear as duas escolas estaduais goianas em Santa Cruz de Goiás e Alvorada do norte.


Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado. Graduado em Literatura e Linguística pela UFG. Pós-graduado em Literatura Comparada pela UFG. Mestre em Literatura e Linguística pela UFG. Mestre em Geografia pela UFG. Doutorando em Geografia pela UFG. Fundador da Academia Trindadense de Letras. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Membro da Associação Goiana de Imprensa. Membro da Academia Itaberina de Letras (Itaberaí). Membro da Academia Catalana de Letras (Catalão). Membro da Academia Jataiense de Letras (Jataí). Membro da Academia Palmeirense de Letras (Palmeiras de Goiás). Membro da Academia de Letras de Campo Formoso (Orizona). Membro da Academia Belavistense de Letras (Bela Vista de Goiás). Professor da Faculdade Aphonsiano de Trindade. Foi Professor da UEG- Pólo Trindade. Professor da Rede Municipal de Ensino de Trindade. Servidor da Subsecretaria Regional de Educação de Trindade. Foi Professor Substituto da Faculdade de Letras da UFG. Colaborador dos jornais O Popular, Diário da Manhã, Informativo trindadense, o Comunitário trindadense, O Comunitário de Palmeiras de Goiás e o Vilaboense (Cidade de Goiás). Publicou os livros: Ser (tão) goiano (Contos); Beco dos aflitos (Crônicas em parceria com Lúcio Arantes); Saga de um povo de fé no coração do Brasil (História de Trindade, em parceria com Antonio Alves de Carvalho); Do Barro Preto ao Planalto (crônicas, em parceria com Lucio Arantes); Hélio de Britto e Célia Coutinho (Biografia), A sempre-viva Amália (biografia), Coração de terra (poemas) e Ereny Fonseca de Araújo: O centenário em páginas de amor e de saudade (biografia).